A ousadia maximalista de Gianni Versace, numa retrospectiva em Paris

A ousadia maximalista de Gianni Versace, numa retrospectiva em Paris

Exposição no Musée Maillol revisita o impacto que o estilista italiano teve (e tem) sobre a moda

Gianni Versace (1946–1997) tinha uma relação especial com Paris: foi lá — mais precisamente no Ritz — que ele fez seu début na alta-costura com o Atelier Versace, em 1989.

Neste verão, a cidade recebe a maior retrospectiva já dedicada ao italiano, com mais de 400 itens, entre roupas, croquis, fotografias, entrevistas e vídeos.

A mostra explora a influência da educação católica de Versace e seu fascínio pela arte greco-romana, pela ópera italiana e pela arte barroca — o que não o impediu de também ser influenciado pela Pop Art de Andy Warhol e pelo cubismo de Pablo Picasso.

O estilista ficou famoso sobretudo pela autenticidade, coragem e ousadia, ao apostar em materiais e estilos que, na época, eram considerados de mau gosto. Correntes douradas, estampas barrocas, o mix de cetim e couro e uma cartela contrastante de cores foram elementos de uma moda sem restrições. 

Figura central da moda nas décadas de 1970 e 1980, deixou sua marca com um estilo exuberante, glamouroso e sexy.

Suas criações sempre vieram de sua vivência pessoal. Da infância no sul da Itália às boates gays de Nova York, Versace trouxe para a alta-costura uma roupa que conta histórias — sedutoras e maximalistas, indo contra o que era, por definição, o bom gosto da época.

Versace também teve papel importante na transformação de modelos em celebridades internacionais, colocando nomes como Naomi Campbell, Linda Evangelista, Claudia Schiffer e Cindy Crawford no centro de seus desfiles e campanhas. 

Um momento histórico aconteceu em seu desfile de outono/inverno de 1991, quando essa turma apareceu reunida cantando Freedom! '90, de George Michael.

Gianni Versace Retrospective faz parte de uma iniciativa privada, sem o envolvimento da marca italiana, e já passou por sete cidades europeias antes de chegar a Paris — entre elas Borås, na Suécia, e Poznań, na Polônia. 

A exposição acontece no Musée Maillol, que serve de palco para um projeto curatorial assinado pela agência Dreamrealizer, de dois alemães — Saskia Lubnow e Karl von der Ahé — que circulam no meio da moda. 

Quando a dupla conheceu por acaso Antonio Caravano, um italiano que afirma ser o maior colecionador de peças de Gianni Versace do mundo, enxergou o potencial de colocar em cena esse patrimônio. E assim surgiu a retrospectiva que está rodando a Europa.

A mostra acontece em um ano conturbado para a marca Versace. Donatella deixou o cargo de diretora criativa em março de 2025. Dario Vitale a substituiu, mas saiu após apresentar apenas uma coleção. 

O Grupo Prada comprou a marca por €1,25 bilhão e, em fevereiro, foi anunciado que Pieter Mulier — ex-diretor criativo da Alaïa — assumirá, a partir de julho, como novo diretor criativo.

Gianni Versace Retrospective
Até 6 de setembro.
Musée Maillol — 59-61 rue de Grenelle, Paris

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