O Festival de Gramado com bloco de Carnaval? Amanda Vargas sabe o que faz

O Festival de Gramado com bloco de Carnaval? Amanda Vargas sabe o que faz

Por trás de eventos como o Réveillon dos Milagres, a dona do Bloco das Gaúchas leva folia ao festival

Talvez você não conheça o nome Amanda Vargas, mas é bastante provável que você já tenha ouvido falar em uma das iniciativas que a gaúcha de 33 anos está envolvida.

Réveillon dos Milagres? Ela é sócia. Bloco das Gaúchas? Ela criou. Aquele restaurante no Morro da Urca – o Araá, com vista espetacular para a Baía de Guanabara? Também está envolvida.

Foi justamente nele que Page9 conversou com a jovem que dominou o circuito de festas em todo o Brasil, não só com estratégias de negócio que trazem resultados impressionantes, mas com um forte senso de comunidade feminina que está diretamente conectado com a história de Amanda.

Só para ter uma ideia: Amanda está à frente da BG Entretenimento, pool de eventos do Bloco das Gaúchas; tem a Folk, agência que cuida da produção, marketing e realização de festas em todo o País; também é parceira de negócios do Grupo Cúpula, que faz a gestão de casas noturnas e restaurantes, especialmente no Rio; realiza uma série de grandes eventos no Carnaval do Rio de Janeiro e ainda está com o Réveillon dos Milagres.

O trabalho, feito a muitas mãos, trouxe bons resultados. Entre todas as sociedades e eventos, o faturamento no último Carnaval, entre festas premium, casas, restaurantes e a Sapucaí, passou de R$ 30 milhões. Só as festas do bloco das Gaúchas movimentam mais de R$ 4 milhões. E, no mesmo dia desta entrevista, pouco mais de duas horas depois de abrirem as vendas para Milagres, o time já tinha arrecadado cerca de R$ 2 milhões. Bastante expressivo, não?

Toda essa história começou em Vacaria, uma cidade com pouco mais de 60 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. Foi lá que Amanda nasceu. Aos 14, se mudou para Porto Alegre, onde cursou Direito ao mesmo tempo em que fazia renda extra como promoter de uma balada na cidade. Nessa época, o término de um namoro mudou tudo. Pela primeira vez, foi curtir com as amigas o Carnaval no Rio.

“Umas dez gurias também queriam ir ao Rio e eu acabei criando uma comunidade no Facebook para as meninas que já conheciam a cidade compartilharem o que valia a pena ou não. Quando chegamos a 40 mulheres no grupo, eu tive a ideia de fazer uma camiseta para aproveitarmos os blocos juntas. Foi ali que surgiu o Bloco das Gaúchas,” diz Amanda.

A paixão pelas festas, a conexão e a iniciativa, com o tempo, viraram negócio: depois daquela primeira viagem, em 2014, vieram muitas outras. E o grupo só ia crescendo. Até que, em 2017, ela decidiu fazer o primeiro grande evento do Bloco das Gaúchas no Rio.

“Tivemos a ideia de fazer a festa que começava às 7h e durava até às 19h, seguindo os horários dos blocos do Rio. Essa foi a primeira edição, e lá se vão 12 anos,” diz Amanda. “Estávamos fazendo um trabalho de comunidade, muito antes disso virar um ativo de negócio ou palavra da moda. Nós começamos a oferecer código de desconto e outros benefícios para as meninas do grupo, mas não só isso: todas estavam ali para se ajudar. Compartilhávamos dicas de segurança e também dicas do que fazer pelo Rio durante o Carnaval, por exemplo.”

Atualmente, a comunidade no WhatsApp tem mais de 1.800 integrantes e funciona o ano todo, não só nos momentos de Carnaval ou Réveillon. Em setembro, o grupo abre para novas participações – e o que se mantém vivo, além dos benefícios práticos para as participantes curtirem festas em todo o País, é o senso do coletivo feminino.

No início do projeto, Amanda lembra que foi convidada por um homem para ser sócia em uma festa. “Vi os números e descobri que estava sendo enganada. Ajudei um homem que acabou me quebrando totalmente, mas a sorte é que eu tinha registrado a marca em meu nome, graças ao meu lado advogada,” diz.

Este tipo de atitude, em um mercado ainda muito representado por homens, fez com que Amanda tivesse algumas escolhas que guiam seu estilo de vida pessoal e empreendedor. Foi ela uma das mulheres a inaugurar a lista de proibição de homens que não tratam bem as mulheres em festas, ou que passaram por situações contra a liberdade e o espaço feminino. “Isso é a prova de que eu não estou aqui para passar pano,” diz.

Amanda também tem a prática de sempre colocar uma mulher no quadro societário de novas festas. E, seja na BG, com um time de 10 meninas, seja na Folk, com 16 pessoas, sempre prioriza a contratação feminina. “Não é que os homens não saibam fazer festa, mas eu acho que as mulheres conseguem fluir mais no dia a dia. Com uma mulher no quadro societário, nós moralizamos mais as coisas, passamos a ter outro olhar para detalhes como, por exemplo, o banheiro feminino, que exige um cuidado e uma atenção maior,” diz Amanda.

A Folk surgiu como uma solução para abraçar um mercado de A a Z. A agência, que vê seu pico no Carnaval, com até duas festas por dia, oferece também serviço de consultoria, produção e marketing para terceiros, além das festas proprietárias. A Folk também assume o marketing de outras casas em que Amanda é sócia, como a Caza Lagoa e o Aldeia, no Rio de Janeiro.

Depois de uma série de festas durante a Copa do Mundo no Rio de Janeiro, Amanda e seu time se preparam para desembarcar no Festival de Cinema de Gramado com uma edição do Bloco das Gaúchas, que acontece no dia 21 de agosto. Esse, se depender dela, é só o começo da história.

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