A feira SP-Arte Rotas nasceu com o propósito de ampliar o mapa do mercado brasileiro ao aproximar produções de diferentes regiões. Nesta quinta edição, o movimento se estende à América Latina. Entre as 70 galerias, há espaços da Argentina, Uruguai e Colômbia. “Ao mesmo tempo, estimulamos galerias brasileiras a apresentar seus artistas latino-americanos e a criar projetos que dialoguem entre diferentes territórios,” disse a diretora e fundadora da SP-Arte Rotas, Fernanda Feitosa.
As galerias paulistanas Almeida & Dale, Galatea, Gomide&Co e Vermelho dividem os corredores da ARCA com galerias de outros estados, entre elas a Karandash, de Maceió, a Paulo Darzé e a Midlej, de Salvador, e a Lima, em São Luís. Das estrangeiras, há a presença da Sur (Uruguai), W-galería (Argentina), Casa Zirio (Colômbia), para citar algumas.
O objetivo, ao interligar estes pontos geográficos, é valorizar afinidades históricas, culturais e conceituais, afirma a diretora. São elas os saberes indígenas, a memória, a ecologia, entre outros.
“A Rotas surge do reconhecimento de que o mercado em São Paulo ainda tem uma grande dificuldade: a de prestigiar artistas menos valorizados por serem categorizados como ‘indígenas’, ‘populares’ e ‘autodidatas’,” diz o diretor artístico Bernardo Mosqueira, que também é fundador da instituição artística e educativa Solar (ou Solar dos Abacaxis), no Rio. Além disso, o carioca foi curador-chefe do Institute for Studies on Latin American Art (ISLAA), em Nova York, e eleito pela revista Cultured um dos seis curadores mais visionários do mundo em 2023.
“Ter mais perspectivas e artistas de contextos diferentes não só é muito importante, como incontornável,” disse o diretor artístico, que destaca o esforço de desconstruir certos rótulos sobre a arte produzida fora de São Paulo — especialmente das regiões Norte e Nordeste.
“Essas classificações de ‘folclórico’, ‘popular’ e ‘primitivo’ são utilizadas para distribuir desigualmente visibilidade, recursos e violência,” disse Bernardo Mosqueira.
Além de diversificar o reconhecimento da produção artística brasileira, a plataforma possui a estratégia de consolidar a cidade como um polo latino-americano de arte. “Há uma grande força cultural, institucional e econômica aqui que pode ocupar uma posição mais ativa nesse ecossistema,” disse Fernanda Feitosa.
A Rotas também busca atender, e reparar, a ligeira distância do Brasil de toda rede da América Latina. Acontece que galerias, museus e artistas de outros países da região possuem mais assiduidade nas trocas criativas e comerciais.
“A língua certamente influencia,” disse Feitosa. Afinal, o país é o único da região que fala português. “Assim como uma tradição cultural e econômica que, durante muito tempo, orientou nosso mercado mais para os Estados Unidos e a Europa.”
Obstáculos à circulação como custos logísticos, devido ao tamanho do Brasil, além da tributação, instabilidade cambial e diferenças regulatórias são elencados por Feitosa como motivos que nos afastam de nossos vizinhos. “Muitas vezes, conhecemos melhor o que acontece em Nova York ou Paris do que a produção daqui do lado,” disse a diretora.
O próprio mercado latino-americano, como um todo, acabou elegendo Miami como um de seus principais pontos de encontro, explica Fernanda Feitosa. “A verdade é que a colonialidade construiu o sistema global de uma forma que os países do sul precisam da mediação dos países do norte para sua relação com os próprios países do sul,” disse Bernardo Mosqueira.
Perguntada sobre a expectativa de vendas para esta edição, a diretora prefere não passar uma projeção. Porém, destaca que espera uma feira “comercialmente consistente” e cita como parâmetro a SP-Arte de abril deste ano, que recebeu 35 mil visitantes. “Além disso, diversos expositores relataram crescimento nas vendas.”
Vale destacar a diferença entre a SP-Arte e a SP-Arte Rotas. Enquanto a primeira é a grande feira de arte do País, além de contar com um forte setor destinado ao design, a Rotas é mais enxuta e foca em artistas brasileiros e latino-americanos.
Já o público comprador da SP-Arte Rotas é variado. Vai de colecionadores experientes, interessados em novas pesquisas, a novatos que ingressam neste mundo graças à oferta de trabalhos de artistas em diferentes momentos da carreira. Ou seja, a faixa de preço tem uma certa amplitude.
SP-Arte Rotas 2026
De 26 a 30 de agosto
ARCA - Av. Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo - SP.
+ bilheteria.sp-arte.com















