Aos 35 anos, Patricia Tremblais já fez trajetória e nome na moda brasileira: com uma carreira de stylist e editora em veículos como Vogue Brasil, a revista do caderno Ela, do O Globo, e passagens pelo Grupo JHSF e pela Reserva, a carioca mira em outro mercado.
Há cerca de três anos vivendo em Paris, ela, que se formou em negócios na moda na Mod’Art, se rendeu ao mercado bridal com um trabalho de consultoria que tem conquistado as noivas brasileiras em busca do vestido dos sonhos.
Filha de pai francês, Patricia sempre amou moda. Ainda bebê, quando completou um ano, foi morar em Miami com os pais e voltou para o Rio aos oito.
Aos 18 veio a dúvida: “Quando ia para a faculdade, não sabia se ia para a moda ou para a publicidade. Acabei indo para a comunicação, fiz dois anos de PUC Rio mas sentia que faltava a parte criativa, a beleza, a imagem… Então, a Mod’Art de Paris aceitou meus créditos e eu fui estudar negócios da moda. Uma das coisas mais importantes para minha carreira é que tinha um estágio obrigatório, e acabei passando pela Dries van Noten e pela PR Consulting, uma agência de relações-públicas,” diz.

Ali, Patricia já começou a dar seus primeiros passos (e que passos!) na moda internacional, o que veio muito a calhar para o trabalho que faz hoje. O fato é que a moda, ainda, é um mercado baseado em relacionamento. E o ponto de virada veio justamente em um desfile da Dries van Noten em Paris: foi lá que ela conheceu Lilian Pacce, referência no jornalismo de moda. Na volta ao Brasil, as duas tomaram um café e Patricia contou sobre suas vontades de estar do outro lado da mesa, no editorial. “Ela encaminhou meu currículo para algumas editoras de moda e a Daniela Falcão, na época ainda na Vogue, me chamou para uma conversa. Fiquei quatro anos lá, morando em São Paulo e começando como assistente de produção para depois me tornar assistente de stylist e, então, stylist. Na Vogue, aprendi a entender os perfis das marcas e das personagens que fotografava,” diz.
Cansada da vida na metrópole paulistana, Patricia voltou ao Rio para reestruturar as campanhas e o e-commerce da Reserva, sua primeira experiência também com a moda masculina. Depois, veio o convite para assumir a edição de moda da revista do caderno Ela junto de Bruno Astuto, o mesmo que, após um tempo, levaria a carioca para o Grupo JHSF para cuidar da revista do Shopping Cidade Jardim e das campanhas do grupo. Ela lembra que “essa fase com o Cidade Jardim ajudou a entender o comportamento das clientes e sobre hospitalidade", já que também teve a oportunidade de trabalhar com o time de buying, responsável pela compra das coleções e peças que seriam disponibilizadas aos clientes brasileiros.
Foi em 2023 que Patricia decidiu se mudar de vez para Paris, criando coragem para perseguir um sonho antigo de viver as experiências da cidade como, de fato, uma francesa vive, se aproximando ainda mais do mercado europeu e aumentando sua experiência internacional e com a alta-costura. Ajudar outras mulheres a realizar seus sonhos – no caso do trabalho dela, no altar – veio ao acaso. Foi Donata Meirelles (considerada a segunda fada madrinha da carioca) que deu o pontapé inicial: de uma ligação, Patricia topou ajudar mãe e filha que estavam em busca de um vestido de noiva na capital francesa. Ela nunca tinha feito isso na vida, mas a bagagem editorial e a conexão com as marcas internacionais ajudou – e como ela não nega um bom desafio, foi lá e fez. É esse mesmo pensamento de vencer o impossível que se tornou regra no trabalho da consultora.

“Eu não sabia como fazer aquilo, mas sempre encarei os desafios. E foi incrível! Tudo foi meio ao acaso: amei a emoção envolvida na hora de provar um véu e um vestido, a cumplicidade de mãe e filha ou da noiva com amigas. É um momento tão importante na vida de uma mulher e ao mesmo tempo algo que eu nunca tinha imaginado trabalhar. Vendo que tinha um mercado, o negócio simplesmente foi acontecendo, muito no boca a boca e também a partir do perfil que criei no Instagram, o @patriciatremblais_bridal,” diz. A demanda virou negócio com a estruturação do business em 2024, e hoje Patrícia atende não só em Paris, mas em toda a Europa a depender do sonho da noiva, com clientes que incluem nomes como Sarah Mattar e Luísa Sobral.
Hoje ela assina como Bridal Fashion Consultant, um trabalho que acontece o ano todo (apesar do pico entre maio e setembro) e que dura cerca de um ano – do estudo das referências da noiva ao mood board para convidados, passando pelo acompanhamento das provas nos ateliês e pelo casamento em si, onde ajuda a dirigir as fotos oficiais e dar os toques finais nos vestidos antes do altar ou da festa. “Eu guio a noiva sem impor estilo. O que a noiva sonha em encontrar, eu vou ajudar a realizar. E tudo é muito personalizado: acompanho o planejamento da decoração, do destino, do lugar, a temperatura… porque tudo, no fim das contas, influencia neste momento do casamento e o vestido precisa conversar com tudo isso. E aí também entra a bagagem editorial que construí,” diz.

Patrícia faz o que parece impossível para alguns: tem carta branca nas maiores marcas, seja para um vestido sob medida, um made to order, um vintage ou um alta-costura, com valores que começam, em média, nos € 15 ou € 20 mil e podem ultrapassar os € 300 mil, no caso das peças mais exclusivas (tudo com um estudo de budget prévio da consultora, é claro).
Todo o trâmite é feito diretamente entre a cliente e a marca – Patrícia só trabalha com o cachê da consultoria e do acompanhamento no processo, que muitas vezes não fica em um só vestido e que também inclui roupas para as madrinhas, a mãe da noiva e o noivo.
“Com o movimento do destination wedding, muitas noivas usam três ou quatro vestidos. Meu trabalho é garantir que tudo flua no timing certo e a interface com os ateliês e com a maisons para que a noiva não tenha nenhum estresse,” diz. Vale lembrar que quem quiser os toques de fada madrinha de Patricia deve se planejar: é indispensável que a noiva vá à Europa para a primeira prova e a prova final, ao menos.
O trabalho de Patricia tem dado certo. Na semana seguinte a essa entrevista, a consultora já tinha quatro provas de roupas marcadas com diferentes noivas. Ela conta que a maior parte das clientes ainda é brasileira, mas que já expandiu o negócio para as noivas americanas, e que tem planos de ampliar o portfolio para outras partes do mundo.
O diferencial, além da bagagem e do serviço personalizado de ponta a ponta, também está na própria cliente: “A noiva que me procura hoje está buscando uma imagem diferente. Ela quer encontrar uma coisa que ainda não viu. Não o chocante, mas algo diferente do que, por exemplo, já passou pelo feed do Instagram. E é aí que o trabalho em conjunto ganha ainda mais força,” diz.

















