Por que mulheres adultas estão obcecadas pela série Off Campus

Por que mulheres adultas estão obcecadas pela série Off Campus

A série do Prime Video fisga mulheres Millennials e da Geração X ao retratar relacionamentos saudáveis e sexo realista

Mães e pais de adolescentes por vezes se veem reféns de referências culturais pop que não lhes dizem muita coisa. É que consumir os mesmos tipos de músicas, séries, livros e tendências de estilo é uma forma eficaz de manter algum grau de proximidade com os rebentos que não são mais crianças e estão em plena fase de autodescoberta.

Em maio, porém, a estreia de uma série da Amazon Prime baseada em uma coleção de livros direcionada ao público jovem adulto gerou em mulheres (mães ou não) com mais de 30 anos um interesse próprio.

Um passeio pelas redes sociais “adultas” — Instagram, Threads e X— dá um pouco da dimensão disso. Até o começo de junho, pouco mais de duas semanas após a liberação dos oito episódios para os assinantes do canal de streaming, o que se vê é um contingente expressivo de mulheres na faixa entre os 30 e 50 anos debatendo, suspirando e, curiosamente, fazendo um mea culpa público. O motivo da guilty trip coletiva? Estarem absolutamente fissuradas por Off Campus: Amores Improváveis.

Mas o que explica uma história ambientada nos dormitórios e arenas de hóquei da fictícia Universidade Briar capturar de forma tão avassaladora o público que já passou da idade do público alvo da narrativa?

Para além da inegável nostalgia de reviver as dores, as delícias e a efervescência dos tempos de faculdade, as espectadoras mais maduras têm apontado um fator crucial: a saúde emocional das relações retratadas. Em um mercado saturado por dramas juvenis pautados em relacionamentos tóxicos, jogos psicológicos destrutivos e sinais crônicos de codependência, Off Campus entrega um respiro psicológico.

Embora carregue os amados clichês do gênero romântico (como o clássico namoro de mentira), a dinâmica entre os protagonistas é surpreendentemente madura. Há diálogo, respeito aos limites individuais e um apoio mútuo genuíno que foge daquela idealização cega de que "o amor cura traumas sem esforço". 

Outro ponto forte que tem gerado elogios nas redes é a forma como o sexo é abordado: desidealizado, realista e focado no consentimento e no prazer mútuo, despido daquela perfeição plástica quase coreografada de outras produções do gênero. 

Focada principalmente nos eventos do primeiro livro da saga, O Acordo, a temporada de estreia acompanha Hannah Wells, uma estudante de música talentosa, e Garrett Graham, o astro e capitão do time de hóquei da Briar. Diante da necessidade de Garrett de melhorar suas notas para continuar jogando, ele propõe um pacto a Hannah: tutoria de estudos em troca de um namoro de fachada para ajudá-la a chamar a atenção do garoto por quem ela é apaixonada.

O que poderia ser apenas mais uma comédia romântica previsível ganha estofo graças à química magnética do elenco e à sensibilidade do roteiro adaptado por Louisa Levy. A série moderniza o material original de 2015 — introduzindo novos núcleos e personagens — sem perder a essência que consagrou a saga. 

Os dramas pessoais e segredos do passado de Hannah e Garrett são tratados com o peso correto, servindo como motor de amadurecimento para os personagens e não apenas como mero artifício de roteiro. É uma primeira temporada redonda, viciante e que entrega o que promete.

Mesmo antes de conhecer a resposta do público, a Amazon MGM Studios já havia confirmado, em fevereiro, a produção da segunda temporada de Off Campus. Surpreendendo quem esperava uma ordem estritamente cronológica, a série fará uma inversão e adaptará diretamente o terceiro livro da franquia de Elle Kennedy, O Jogo.

Os novos episódios focarão na química entre o sedutor Dean Di Laurentis e a atriz Allie Hayes — a melhor amiga de Hannah —, cujas primeiras interações cheias de faíscas já viraram assunto entre os fãs. 

Lançada originalmente nos Estados Unidos de forma independente em 2015, a série de livros Off-Campus estourou alguns anos depois, impulsionado pelo fenômeno do BookTok, no qual a hashtag da saga acumula menções no TikTok, e que levou os livros para as listas de mais vendidos do The New York Times.

No Brasil, a trajetória segue o mesmo ritmo febril. Rebatizada como Amores Improváveis, a franquia desembarcou no país pelo selo Paralela, da Companhia das Letras, tornando-se um sucesso comercial. Agora, embalada pela estreia no streaming, a editora colocou no mercado novas edições com projetos gráficos totalmente repaginados e um box completo da franquia. E está de volta às listas de mais vendidos. 

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