Pedrinho Aguinaga não nasceu mito: nasceu bonito — o que, no Brasil, já é uma profissão de risco. A televisão apenas carimbou o óbvio e transformou o rapaz numa espécie de patrimônio imaterial da libido nacional.
Era tão bonito que entrava numa festa e o champanhe parecia gelar sozinho. As mulheres sorriam com a boca e pecavam em pensamento. Os homens ofereciam amizade enquanto consultavam a própria insegurança no espelho do banheiro.
E ele sabia. Sabia perfeitamente. Tinha a serenidade dos grandes canalhas elegantes. Possuía aquele raro talento carioca de ser cavalheiro enquanto provocava pequenos desastres emocionais. Puxava a cadeira, acendia o cigarro, beijava a mão certa na hora certa e, sem esforço aparente, deixava uma sucessão de corações em estado de calamidade pública. Era um aristocrata da malandragem. Um príncipe da areia de Copacabana.
Havia nele a insolência dourada dos homens criados sob o sol do Rio. A pele carregava um bronzeado que nenhuma clínica reproduz. O sorriso tinha o perigo das coisas simples. Caminhava sem pressa, como quem conhece o próprio efeito sobre o mundo. Não perseguia mulheres, deixava que a curiosidade fizesse o trabalho.
Viveu em uma época em que a noite não precisava se justificar ao amanhecer. Entre Nova York, Londres, Roma e o Rio, acumulou histórias que hoje parecem invenção de um cronista bêbado. Conviveu com artistas, bailarinos, aristocratas, modelos, cineastas e toda espécie de criatura fascinante que costumava confundir prazer com destino.
No cinema de Neville D'Almeida encontrou seu habitat natural. As filmagens pareciam um baile organizado por Dionísio depois de três dias sem dormir. Havia corpos, excessos, gargalhadas, garrafas vazias e a permanente sensação de que a civilização era apenas um detalhe burocrático.
E as mulheres… Pedrinho não colecionava romances, colecionava vertigens. Houve Vera Fischer antes de se tornar monumento nacional. Bianca Jagger atravessando continentes. Marisa Berenson, Liza Minnelli, Demi Moore, Monique Evans e tantas outras que transformaram sua biografia numa espécie de atlas sentimental da segunda metade do século.
Naqueles anos, o Rio cheirava a maresia, perfume francês e más intenções. A liberdade andava solta pelas madrugadas, sem relógio, sem culpa e sem qualquer interesse em dar explicações.
Na foto, Pedrinho aparece ao lado de uma mulher deslumbrante numa festa na mansão de Regina Rosemburgo, na Joatinga. Mas a fotografia mente. Ela parece registrar duas pessoas. Na verdade, registra uma época.
Um tempo em que o gelo nunca faltava no copo, o desejo nunca chegava sóbrio e a juventude parecia um patrimônio eterno. No fim, Pedrinho entendeu uma verdade que a vida costuma esconder dos prudentes: beleza abre portas, fama reserva mesas e dinheiro compra champanhe.
Mas nada seduz mais do que a sensação de que alguém pode partir a qualquer instante. O amor procura garantias, a paixão prefere o risco. Talvez por isso algumas mulheres nunca tenham se apaixonado por Pedrinho. Apaixonaram-se pela possibilidade de não conseguir esquecê-lo.















