Não é preciso ser fã de basquete para saber que o New York Knicks está nas finais da NBA este ano.
Talvez você tenha lido sobre o tema no noticiário político, já que o Presidente Trump esteve presente em um dos jogos; ou nas páginas de entretenimento, que registraram todos os passos de A-Listers como Timothée Chalamet e Taylor Swift à beira da quadra.
Mas este não é um circo midiático qualquer.
Apresentando o melhor basquete da sua história, os Knicks estão a uma vitória de encerrar um jejum de 53 anos sem títulos, e seus torcedores — famosos, anônimos e posers — se preparam para dias de festa (e de alguma eventual destruição).
As finais da NBA são disputadas no formato de melhor de sete jogos (quem ganhar quatro jogos primeiro é campeão), e os Knicks lideram o confronto contra os San Antonio Spurs por 3 a 1.
No último jogo, na quarta, o time de NYC venceu após reverter uma vantagem de 29 pontos dos Spurs, a maior virada da história das finais da NBA. Também por isso tanta comoção.
Agora, só precisa vencer mais um jogo para levantar o troféu, e terá sua próxima chance neste sábado, em San Antonio.
Caso seja necessário, haverá mais um jogo em NYC, na próxima terça (16); e uma sétima e derradeira partida no Texas, na sexta (19).
Muito antes do New York Knicks ser fundado, em 1946, Nova York já respirava basquete.
Introduzido em universidades e escolas ainda no século XIX, o esporte se espalhou por quadras de rua dos cinco boroughs nas décadas seguintes e se tornou um grande símbolo da cidade.
Quando os Knicks finalmente surgiram, foi amor à primeira vista – que o time devolveu à cidade vencendo os títulos da NBA de 1970 e 1973.
A equipe ficou conhecida por seu jogo coletivo e combativo, como o hustle diário do novaiorquino, passando a arrastar multidões e estrelas para os seus jogos no Madison Square Garden (MSG), que ganhou a alcunha de “Meca do Basquete”.
No entanto, enquanto o charme do Garden crescia, o resultado esportivo dos elencos dos Knicks despencou.
O time perdeu nos anos 90, quando formou um bom time “operário” que não conseguia derrotar craques como Michael Jordan; e perdeu mais ainda nos anos 2000, quando tentou sem sucesso mudar a essência da equipe e atrair grandes estrelas para o plantel.
Por isso o torcedor que ficou e acompanhou todas essas derrotas de perto, abraçando a mediocridade do time sem perder a empáfia de Nova York ante os rivais, agora está celebrando tanto. E se os Knicks realmente levantarem o troféu, a cidade vai abaixo.
Ainda que alguma festa (e quebradeira) seja sempre esperada depois de grandes títulos esportivos, tudo indica que os novaiorquinos farão uma celebração histórica em todos os sentidos.
“Chamem a Guarda Nacional,” um torcedor brinca em um vídeo compartilhado pela revista Time depois da vitória dos Knicks contra os Cleveland Cavaliers nas semifinais da NBA. “Se ganharmos o campeonato, a NYPD não terá recursos suficientes [para lidar com a bagunça].”
A antecipação de uma festa desmedida provocou inclusive um atrito entre o Prefeito Mamdani e o dono dos Knicks, o republicano James Dolan.
O time, que estava promovendo watch parties dos seus jogos do lado de fora do Garden, decidiu não realizar o evento na última partida após a prefeitura exigir medidas de segurança adicionais.
Em resposta, Mamdani mandou retransmitir o sinal do jogo em todos os outdoors da cidade.
O prefeito de NYC é torcedor dos Knicks e vai a jogos no Garden desde antes de entrar para a política. Agora faz política lá.
Em um registro de uma partida recente dos Knicks, Mamdani aparece em um setor bem distante da quadra, como qualquer novaiorquino não rico assiste a todos os jogos do time.
Muito também se questionou a presença de Trump no terceiro jogo das finais a convite de Dolan, mas o novaiorquino foi fotografado por diversas vezes nas primeiras filas e camarotes do ginásio antes de se mudar para a Flórida.
Trump é do grupo dos famosos que, ao longo dos últimos 80 anos, ocasionalmente flanaram pelo Garden, principalmente quando o time ajudava. A própria Taylor Swift se enquadra nesse conceito.
Depois há os famosos que são fanáticos, que batem ponto na primeira fila do Garden e agora estão até viajando para ver o time jogar fora de casa.
Novaiorquinos como Spike Lee e Ben Stiller, que torcem para a equipe desde os tempos de glória e vivem no ginásio; como Timothée Chalamet, que tem fartos registros de idolatria pelo clube nas redes sociais; ou até forasteiros como a californiana Mariska Hargitay, uma atriz de televisão que ganhou status de A-Lister no Garden por sua assiduidade no ginásio apesar do fraco basquetebol muitas vezes apresentado.
Agora, nas vacas gordas, senta na primeira fila quem sempre está lá — e consegue pagar.
Os ingressos para o terceiro jogo das finais ultrapassaram os US$ 100 mil no mercado secundário. Um recorde para a NBA.
Parte disso é Nova York, parte disso são os Knicks e, pela primeira vez em muitos anos, parte disso é o basquete praticado pelos Knicks.
Sem chegar a uma final desde 1999, o clube voltou a apostar em jogadores sem grife e orientados para o jogo coletivo nos últimos anos, o que deu um piso técnico para o time.
Depois buscou jogadores com alto potencial, mas criticados, para tentar transformar em ídolos dos novaiorquinos: Jalen Brunson, um armador que chegou a ser considerado pequeno demais para vencer na NBA; e Karl-Anthony Towns, um pivô talentoso, mas fraco demais para brigar no garrafão.
Deu certo.
O grupo desmantelou seu lado do chaveamento com 11 vitórias consecutivas e chegou à final para enfrentar o San Antonio Spurs do “alien” francês Victor Wembanyama, de 2,24m.
Nos dois primeiros jogos, em San Antonio, os Knicks abriram 2 a 0. O time sonhou em ser campeão com 15 vitórias consecutivas.
Os Spurs ganharam a terceira partida, no Garden, e alguns torcedores chegaram a esmorecer lembrando das derrotas do passado; mas o time de NYC se recuperou a tempo no quarto jogo e parece fadado a encerrar seu jejum.
A não ser, é claro, que pipoque, como já cansou de fazer no passado.

















