A revista The New Yorker publicou esses dias uma matéria que abala a narrativa financeira do fenômeno editorial recente, o livro Strangers: A Memoir of Marriage, de Belle Burden.
Pela apuração da revista, a autora talvez tenha deixado que o trauma emocional a levasse a carregar na perspectiva de total ruína financeira.
Dado o sucesso do livro, a internet entrou em furor com a matéria. Teria sido a narrativa distorcida? O livro seria uma fraude? Ou ela narrou da forma que sentiu todo o processo?
Um dos atrativos do livro é o suspense psicológico durante o divórcio. Ela descreve o pânico de perder tudo: as casas, a estabilidade, e não poder sustentar o estilo de vida dos filhos.
O leitor passa a imaginar que ela está à beira do desastre financeiro. Até que ela é salva, aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Momentos antes do julgamento do divórcio, o ex-marido cede. E o leitor respira aliviado por ver a mulher destruída emocionalmente salva, pelo menos do ponto de vista financeiro.
O que a investigação da New Yorker traz à luz são os documentos anexados ao processo do divórcio. Segundo os registros judiciais, nunca existiu um julgamento marcado, apenas uma espécie de mediação preliminar.

Advogados especializados ouvidos pela revista dizem que negociações como aquela já vinham acontecendo há muito tempo nos bastidores, em trocas de minutas e acordos.
Segundo a New Yorker, os especialistas afirmam que, em casos assim, seria extremamente improvável que ela realmente perdesse as propriedades, especialmente sendo mãe com a guarda dos filhos.
A matéria revela também o tamanho real do patrimônio, que está na casa de muitos milhões de dólares. Ela não ficaria totalmente desamparada, dado que teria outros ativos. No entanto, a maior parte do dinheiro está no trust da madrasta, o qual ela só terá acesso depois do falecimento da mesma.
O fato dela ter mais dinheiro do que relatou no livro não invalida a narrativa. O ponto central ainda é o abandono emocional, a perda de chão com a separação abrupta e seu desespero com a guinada que sua vida tomou, inclusive na parte financeira.
No livro, e nas mil entrevistas que ela tem dado, a parte financeira está mais centrada no arrependimento de ter abdicado — enquanto esposa — do controle sobre as finanças do casal e, pior, como mulher, de sua própria vida financeira. A forma que narrou pode ser a tradução de como se sentiu.
O fato dela ter mais ou menos dinheiro, no final, não parece importar tanto. A mulher — casada ou solteira — precisa priorizar sua vida financeira, aprender desde cedo a planejar e se resguardar, e isso deveria ser o recado mais importante.
















