Page 9PIB
O fantástico palazzo de Dries van Noten em Veneza

O fantástico palazzo de Dries van Noten em Veneza

Com a nova Fondazione Dries van Noten, o estilista belga quer quebrar barreiras entre arte, artesanato, design e moda e focar em técnicas ameaçadas de extinção

Na abertura da 61a Bienal de Veneza, a novidade mais comentada (e o ingresso mais disputado) foi a abertura do Palazzo Pisani Moretta, do estilista belga Dries van Noten.

Depois de deixar, em 2024, o posto de diretor criativo da grife que leva seu nome, comprou, em 2025, um dos palazzi mais extraordinários de Veneza para transformá-lo em sua fundação.

O Palazzo Pisani Moretta ocupa uma das curvas mais bonitas do Grande Canal. Construído em 1480 e restaurado em 1730, tem quase   4 mil m². O salão principal tem mais de dez lustres originais de vidro de Murano e uma pintura no teto de Giovanni Battista Tiepolo, um dos grandes artistas venezianos de seu tempo. 

Dries e seu marido, Patrick Vangheluwe, decidiram abrir o espaço como estava, mantendo os andaimes e os desgastes das paredes e portas.

O objetivo da Fondazione Dries van Noten não é ser uma fundação tradicional de arte contemporânea, mas criar um espaço dedicado ao artesanato e aos materiais manuais, estabelecendo um diálogo entre artistas e artesãos, sem hierarquia entre arte, artesanato, design e moda. Como fez outro belga, Axel Vervoordt, no Palazzo Fortuny, misturando moda, cenografia, iluminação, fotografia e design de interiores. 

Dries parece querer algo menos ambicioso e focar em técnicas artesanais ameaçadas de extinção.  

A exposição inaugural, The Only True Protest Is Beauty, apresenta fotografias, roupas, cerâmicas, vidros, móveis, objetos e peças têxteis espalhadas pelos salões do primeiro e do segundo andares, misturando moda, arte e artesanato. A mostra foi curada por Dries com Geert Bruloot, seu parceiro na época da marca, e um grupo de jovens escritores e designers venezianos responsáveis pelos textos e pela identidade visual.​​​​​​​​​​​​​​​​

A entrada do palazzo tem uma escultura brutalista do artista Peter Buggenhout, mas o que impressiona é a beleza do hall e sua imponente escadaria. 

No primeiro andar, o visitante se depara com uma foto de grande escala do fotógrafo Steven Shearer, com a imagem de uma mulher jovem, vestindo um capuz, com olhos fechados, iluminada por uma faixa de luz que lembra a imagem de “Maria Madalena em êxtase”, de Caravaggio. Ao lado, manequins com roupas da estilista Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, roupas de alta-costura de Christian Lacroix e joias do veneziano Codognato. 

A dinâmica de ter uma grande fotografia, manequins e joias se repete pelos demais cômodos grandiosos do palazzo. Na última sala, uma apresentação de cadeiras de designers contemporâneos ao lado de cadeiras de época do próprio local cria um contraponto curioso com o restante da mostra.

Se Dries quer explorar a relação do manual com o design de objetos, escolheu o lugar perfeito para desenvolver a experimentação estética. 

O palazzo fechará para reformas em outubro, depois de um festival de música que Van Noten está planejando, e só reabrirá na próxima Bienal de Veneza, quando o mundo das artes voltará a desembarcar pelos canais da cidade — ávidos para ver como ficou a reforma e o que o estilista belga trará de novidade. 

Advertisement
Advertisement