No Japão, a cor branca envolve a sensibilidade dos japoneses, refletindo percepções como paz, purificação, leveza, silêncio e precisão. É esta cor que assume o papel de fio condutor da exposição Shiro: Uma Escala de Nuances, em cartaz na Japan House São Paulo. Shiro significa “branco”, em japonês.
Com curadoria de Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da JHSP, a mostra revela a relação da cultura japonesa com o branco por meio de quatro elementos: papel, seda, neve e sal.
A inspiração veio do livro O País das Neves (1948), de Yasunari Kawabata, que descreve as paisagens brancas do inverno rigoroso do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na neve.
“O branco serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”, disse Natasha.
Na entrada da exposição, uma tabela cromática impressiona (de maneira sutil, claro) com 19 tons de branco catalogados no Japão, representando todas as nuances que a cor pode ter.

Papel
A instalação Poem of Life, da artista Ayumi Shibata (Yokohama, 1982), é feita de folhas de papel cortadas com a técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo.

Neste núcleo, também é possível conhecer o processo de produção do Kurotani Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a sua fabricação.
Seda
Kaoru Hirano (Nagasaki, 1975) apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, a artista escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação untitled-grandmother. A obra de quase quatro metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos (e desconstruídos) dentro de uma relação familiar.

“A parte mais desafiadora foi trabalhar com a seda. Ao desfiar o kimono, as linhas começaram a se emaranhar, como se quisessem voltar ao estado que eram antes, no casulo. Enquanto trabalhava, era como se eu estivesse voltando no tempo e compartilhando esse momento com a minha avó. Os fios querendo retornar ao casulo, eu querendo retornar a ela. Essa sobreposição de experiências foi algo muito significativo para mim,” disse a artista ao Page9.
Amostras de casulos do bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na produção de seda, também estão lá.
Neve
As paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, são abordadas por meio do trabalho do artista Tomohiro Kajiyama (Shizuoka, 1985). Caminhando sobre a neve com um par de pequenos esquis, sem o uso de ferramentas de medição, ele cria, a partir de linhas quilométricas, desenhos complexos que podem ser contemplados por fotografias de Land Art — intervenções feitas na natureza.

Para o artista, cada passo que ele dá para compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades.

Sal
A prática popular de criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas, como forma de atrair boa sorte e afastar os maus espíritos, é chamada de morijio. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão.

Shiro: Uma Escala de Nuances Em cartaz até 25 de outubro.Japan House São Paulo – Av. Paulista, 52 - São Paulo
















