
Automobilismo para relaxar
Todo ser humano deveria sentir a adrenalina de uma largada ao menos uma vez na vida — é instinto, técnica e medo no máximo
O automobilismo começou como um hobby e virou uma paixão. Comecei no kart aos 12 anos, parei para estudar e voltei ao esporte na faculdade, disputando campeonatos regionais. Correr é um hobby sério: mesmo quando estou relaxado, estou trabalhando habilidades importantes. É um esporte de limite, mas com uma dinâmica muito parecida com a de uma empresa. É legal ver como a equipe funciona – estratégia, briefing, reuniões, tudo faz parte do processo.
Na pista, o nível de exigência é alto. Até 80% da performance, muita gente consegue chegar; mas, de 80% a 90%, a história muda: você está a 300 km/h, freia a 150 metros da curva e perde até 2 kg dentro do carro. Os treinos de pescoço, reflexo e resistência são fundamentais. Sou piloto graduado e corro como Gentleman Driver: não ganho para correr – eu invisto para estar ali. Comecei na GT em 2024 e, em 2025, subi para a P1, com protótipos semelhantes aos de Le Mans. As categorias de Gentleman reúnem empresários que competem por hobby, é uma rede onde surgem amizades e oportunidades.

O esporte me ensinou a lidar com frustração, competitividade e tomada de decisão. Também me ensinou a me cercar de pessoas melhores do que eu – algo que levo para o escritório. Cada corrida, cada desafio, cada decisão moldou quem sou hoje: uma pessoa que vive de paixão, aprendizado e superação constante. E todo ser humano deveria sentir a adrenalina de uma largada ao menos uma vez na vida – é instinto, técnica e medo no máximo.
O kart é a base de tudo. Simples mecanicamente, complexo na prática. Ensina ultrapassagem, traçado, regulagem e preparo físico. Sem pressão, sem patrocínios, apenas você e a máquina. Nunca esqueço minha primeira vitória: chovia, eu ainda não tinha a técnica de hoje, mas tive um desempenho excepcional e venci. Foi ali que entendi o quanto a corrida me conecta com a minha família e o quanto valorizo esses momentos.
Sou formado em Direito e comecei a empreender aos 25. Trabalhei na empresa de fusões e aquisições da minha mãe, mas logo alcei meus próprios voos. Empreender exige que você dê 200% de si. É um mundo hostil, que envolve pressão, estresse e tomada de decisões. Comecei com três colaboradores e hoje lidero mais de 60 pessoas. Com essa rotina, o automobilismo passou a ser a única coisa que realmente me desconecta do trabalho.
Minha rotina é intensa, mas consigo encaixar treinos no Pilotec, centro de treinamento para pilotos, com simuladores e academia. Os horários mais concorridos são às 6h e às 21h, então a gente se organiza no escritório para que eu consiga treinar. Às vezes, almoço na mesa para dar conta de tudo.

Hoje, além de competir, apoio atletas de diferentes modalidades. Patrocinamos Thiago Camilo e Bia Figueiredo, da Stock Car, o time brasileiro no SailGP e atletas de esportes radicais, como o BASE jumping. Torcer por alguém é uma das coisas mais bacanas que existem – e as pessoas acabam vivendo isso comigo, torcendo e celebrando cada conquista.
Nas pistas, estou me preparando para o Daytona 2026, uma prova que, para mim, faz parte da preparação para as 24 Horas de Le Mans – meu grande sonho, o equivalente a completar um IRONMAN.


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