A ideia de ter um clube revolucionário de networking não é novidade. Para citar alguns famosos, chamados por aí de members clubs ou private clubs, dá para pensar na SoHo House, na Casa Cipriani, no G4… ou em tantos outros que talvez a gente não lembre o nome, mas que certa vez pipocou no WhatsApp ou no Instagram com uma promessa inovadora de transformar vidas.
A ideia vendida, na prática, é que ser membro de alguns destes é sinônimo de prestígio. Com mensalidades altíssimas e convites que só vêm depois de passar por comitês dos mais variados, os clubes prometem conexão e aprendizado.
Pegando carona nessa ideia de negócio, três amigas decidiram mudar um pouco a jornada de suas membras ao fundar um clube que, sim, tem o compromisso com o famigerado networking, mas que se ancora no impacto social para fazer diferente. Batizado de Ávora, o projeto vem sendo desenvolvido desde setembro de 2025 por Mayra Carbone e Fernanda Moura, sócias da Lifetime W (braço de gestão de voltado para mulheres da Lifetime Investimentos), ao lado de Nadia Léauté, fundadora da Blend Inspire e que teve passagem por marcas como Rolex e L’Oréal.
“Vimos que já existem muitos clubes no Brasil, mas poucos têm uma vocação de impacto social. A vocação da Ávora é revelar as próximas grandes lideranças femininas em negócios, em arte e gastronomia, por exemplo. Nossa missão é que cada vez mais mulheres possam ocupar cadeias de liderança, acelerando este movimento. E para poder endereçar esse problema de falta de liderança feminina no alto escalão, entendemos que o networking é fundamental,” diz Nádia.
Mayra, Fernanda e Nadia uniram forças a um outro time de grandes líderes que ajudam a formatar o Ávora, são elas: Marie Bérangére Chapoton, CEO do Rosewood São Paulo; Flavia Vagen, Diretora de Marketing da Hope; Liliane Rocha, conselheira do Instituto Tomie Ohtake; Priscila Simon, Diretora Comercial e de Trade Marketing do Grupo Azzas; Flavia Freitas, Corporate Social Responsibility da IMB; e a empresária Monique Evelly.
A estrutura do clube funciona assim: founding members, que também são as primeiras mentoras; associadas, que vivem as experiências do clube e poderão mentorar; e mentoradas, mulheres com três a quatro anos de experiência que têm potencial e buscam ascensão no mercado de trabalho – elas não pagam mensalidade e são justamente o exemplo de legado que o clube e seus membros querem deixar.
O trio que está à frente do Ávora destaca que o problema não é o aumento ou a diminuição das oportunidades de liderança feminina no Brasil, mas o gap que acontece entre a liderança e a alta liderança. Segundo levantamento da Vila Nova Partners, apenas 5% das empresas listadas na B3 têm mulheres como CEO, e o relatório Women in Business deste ano apontou que essa representatividade caiu 1,1% no percentual, marcando 32,9%. “Vimos uma ascensão dessa baixa liderança, mas há um gap maior quando a gente vê essa baixa liderança subir para o C-level. Por isso, nossas mentoradas têm alguma experiência e estão em um momento de carreira no qual precisam dessa alavancagem para chegar a níveis mais altos. Sem falar que a liderança, no geral, é muito solitária. O Ávora traz esse pensamento de conectar líderes femininas para que elas tenham um espaço de troca e se fortaleçam,” diz Mayra.
Além de uma parceria com o LinkedIn, que irá hospedar dois encontros para as participantes do clube com foco em marketing profissional na plataforma, o Ávora também tem uma agenda programa com momentos de desconexão e troca para barrar essa “solidão” da liderança. Entre eles estão um workshop de mixologia para inspirar equilíbrio e inovação, experiências de ioga, meditação e bem-estar e degustação de vinho, acompanhado de conversa sobre investimento a longo prazo.
“É um clube de encontro, de conexão e de conteúdo. Falamos desde drinks e estilo de vida até desenvolvimento pessoal e profissional nas edições do Ávora Talk, nosso encontro fixo para discutir diferentes temas. Isso porque, no fim das contas, o dia a dia é pesado e a gente quer trazer mais conexão para criar amizades em momentos mais relax,” diz Nadia.
Talvez a fórmula do sucesso para os novos private ou members’ clubs esteja em outro nível de network, o de abrir caminhos para quem precisa de um incentivo para brilhar.















