Julio Le Parc, cujas obras e instalações envolviam o espectador em experiências sensoriais, desafiando as convenções e abrindo caminho para uma nova forma de pensar a arte, morreu no sábado em Paris.
Ele tinha 97 anos e já estava com a saúde frágil.
Daqui a 10 dias, a Tate Modern abre em Londres Julio Le Parc: Light. Colour. Action, uma exposição que percorre a extraordinária carreira do artista do final dos anos 1950 até os anos 2020, de maneira imersiva, lúdica e hipnótica.
“Sua trajetória oferece uma visão fascinante da prática em constante evolução de um artista que, como sua obra, nunca para de nos surpreender,” disse o museu.

Segundo a Folha, Le Parc estava internado há dois dias em um hospital de Paris. Nos últimos anos, o artista sofrera um acidente vascular cerebral e enfrentou internações recorrentes por causa de insuficiências respiratórias.
Um dos grandes nomes das artes cinética e óptica, Le Parc dedicou sua carreira à exploração da luz, do movimento e da cor, criando a partir de materiais e técnicas até então pouco empregados no meio artístico.
Interativas, suas obras falam do universo cotidiano e valorizam a participação do público. Algumas delas – as mais lúdicas – estabelecem conexões com espectadores pouco ou nada familiarizados com a arte.
Julio Le Parc nasceu em Mendoza em 23 de setembro de 1928. Mudou-se para Paris no final da década de 1950, e rapidamente se tornou uma figura central na vanguarda artística, sempre mantendo laços fortes com a América Latina.

Seus trabalhos, no início pinturas e guaches, passaram a ganhar complexidade, valendo-se de formas geométricas puras para explorar a instabilidade da percepção visual.
Um dos artistas mais influentes de sua geração, recebeu o Grande Prêmio de Pintura na Bienal de Veneza de 1966 e teve suas obras exibidas em museus e galerias de todo o mundo.
No Brasil, era representado por Nara Roesler desde 2001.
“Júlio não era apenas um mestre da arte cinética, mas também uma alma generosa que inspirou e guiou aqueles ao seu redor,” Nara disse hoje. “Suas conversas repletas de ideias e sua visão inovadora sempre nos lembraram do poder da arte de nos conectar e nos transformar.”

Nos últimos anos, o artista figurou em importantes mostras, como Julio Le Parc: da Forma à Ação, no Instituto Tomie Ohtake (2017), Julio Le Parc 1959, no Met Breuer (2018), em Nova York, e uma individual na Serpentine Galleries (2014), em Londres.
Entre os museus que possuem um Le Parc em seus acervos estão o MoMA e o Metropolitan Museum, em Nova York; a Tate, em Londres; o Pompidou, em Paris; o MAM-SP e o MASP.
Em 2025, com a aquisição da coleção Daros Latinamerica, o Malba de Buenos Aires levou 47 obras de Le Parc, entre elas Continuel-lumière cylindre (1962) e Cellule à pénétrer (1963-2005).
O artista será enterrado em Paris, em data ainda não divulgada.















