O plano de Arnault para fazer de Courchevel uma LVMH a céu aberto

O plano de Arnault para fazer de Courchevel uma LVMH a céu aberto

Empresário francês se prepara para abrir uma flagship da Louis Vuitton na estação e mira outros empreendimentos imobiliários

Bernard Arnault está dando um banho de LVMH em Courchevel, a icônica estação de esqui na França.

Dono de hotéis, chalets e restaurantes no pedaço, Bernard Arnault agora prepara a abertura de uma opulenta flagship da Louis Vuitton na Rue du Rocher, uma das mais movimentadas de Courchevel, disse o site francês Glitz.

Além disso, Arnault está ampliando o Cheval Blanc; e, junto de Stéphane Courbit, de quem é sócio na empresa de mídia Banijay, tenta a compra do Lake Hôtel.

Arnault tem um carinho especial por Courchevel: foi lá que aprendeu a esquiar quando criança, e é lá que sempre passa seu aniversário em março.

Há cerca de 15 anos, o magnata começou a transformar este afeto em portfólio imobiliário, e hoje é dono de vários chalets, dos hotéis Cheval Blanc e White 21, e do restaurante Le Tremplin. 

A shopping spree foi tamanha que Arnault foi acusado de lavagem de dinheiro em 2023, quando investigações indicaram que ele teria pagado ao oligarca Nikolay Sarkisov para assumir a compra de propriedades na região que na verdade eram suas.

O empresário francês se declarou inocente – e segue ativo no mercado. 

O empresário Bernard Arnault

Arnault deve inaugurar já no próximo inverno uma flagship da LV no terreno onde fica o desativado Hôtel Les Anémones, na Rue du Rocher.

A ideia do empresário, segundo o Glitz, é juntar as duas lojas que a marca tem em Courchevel, uma delas no térreo do próprio Anémones, e construir uma megastore focada na experiência do cliente, no estilo das que a marca já tem em Shanghai e Bangkok.

Quando for inaugurada, a maison dividirá a rua com outras marcas da LVMH, como Fendi, Bulgari e Loro Piana, que já estão espalhadas pelo pedaço.

Mas a luta de Arnault por espaço em Courchevel não se restringe ao varejo.

Não muito longe da Rue du Rocher, a 10 minutos de carro pelas sinuosas vias da região, está o hotel Cheval Blanc, a joia da coroa da LVMH no Jardin Alpin. 

Ali, Arnault quer construir acomodações ainda mais exclusivas do que as que o palácio já oferece: nove novas suítes às margens do lago Biollay conectadas ao prédio principal do hotel por um túnel.

Os vizinhos não gostaram nada da ideia.

A maioria dos donos do Lake Hôtel – o único estabelecimento hoteleiro às margens do lago, que opera como um condomínio – alega desde riscos ambientais associados à escavação do túnel até um possível impacto negativo à sua operação.

Lake Hôtel, em Courchevel

Quem lidera o movimento  antipuxadinho é a política Isabelle Monsenego, dona de um dos 120 quartos do Lake e vereadora de Courchevel.

Até aqui, a Justiça francesa manteve as licenças de construção de Arnault – e o empresário se juntou a Stéphane Courbit para tentar assumir o controle do Lake.

Courbit – o chair da Banijay, dona de formatos como Big Brother e MasterChef, e CEO do negócio de hospitalidade LOV Group – tenta há uma década comprar o imóvel, que também tem o grupo Kerzner entre os seus sócios.

Assim como Arnault, Courbit vem espalhando seus tentáculos pela estação nos últimos anos. Além do hotel Les Airelles, que comprou em 2007, ele tem convertido chalets da região em residências de luxo.

Caso consiga concluir a aquisição, a dupla deve retrofitar o velho Lake e transformá-lo em um dos espaços mais desejados de Courchevel. Mas eles que não se distraiam. 

Há outros predadores – como Xavier Niel, o fundador da telecom Iliad e um dos donos do hotel L'Apogée – em busca de território na montanha. E o espaço é escasso.

Segundo a revista Le Point, Courchevel tem 33 hotéis, dos quais cinco são palácios; e 188 chalets, sendo 80% declarados como propriedades comerciais destinadas ao aluguel.

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