Durante anos, os relógios masculinos seguiram uma lógica quase arquitetônica: caixas robustas, mostradores imponentes e dimensões acima dos 40 mm que simbolizavam presença, poder e desempenho técnico. Mas algo mudou silenciosamente no pulso masculino. Nas últimas temporadas, marcas de luxo e relojoarias independentes passaram a apostar em modelos menores, mais discretos e elegantes, sinalizando uma transformação estética que acompanha mudanças de comportamento e estilo.
Para entender como a tendência anda reverberando, basta dar uma olhada nos pulsos de celebridades. Timothée Chalamet, Paul Mescal e Tyler, the Creator estão entre os que aderiram aos pequenos relógios de grife, às vezes usando até dois ao mesmo tempo. Vale, inclusive, modelos originalmente femininos e itens vintage minúsculos.

Na base dessa estética está o assimétrico The Crash, da Cartier, que não chegou a empolgar quando foi lançado em edição limitada, em 1967. Hoje é considerado uma raridade e objeto máximo de desejo. Em 2022, um modelo foi vendido por um recorde de US$ 1,65 milhão em um leilão. Nesse compasso, outros modelos da marca francesa seguem em alta, como o Panthère.
O movimento não significa exatamente o abandono dos relógios oversized, mas revela uma busca crescente por proporções mais clássicas e versáteis. Caixas entre 28 mm e 38 mm voltaram a ganhar protagonismo em lançamentos recentes, como a feira Watches & Wonders, realizada em abril, evocando referências antiguinhas e um refinamento menos ostensivo. Claro, há o desafio de manter a funcionalidade e o apelo imagético sem a tela maior que os relógios grandes proporcionam.
Além da influência do revival, a tendência reflete uma moda masculina mais sofisticada e contida, com peças atemporais e versáteis, capazes de transitar entre diferentes ocasiões. Em vez de relógios que ocupam o centro da composição visual, cresce o interesse por modelos que privilegiam acabamento, design e herança relojoeira. Entram em cena novos materiais, paletas de cores e texturas para diferenciar os modelos menores. A pulseira ganha protagonismo, dando caráter ao relógio e complementando o estilo do usuário.

Durante grande parte do século XX, relógios masculinos pequenos representavam o padrão de elegância e equilíbrio. Eram modelos concebidos para dialogar de maneira harmoniosa com o vestuário, sem excessos ou protagonismo exagerado. Foi no fim da década de 1990 que os relógios masculinos começaram a crescer de forma consistente, acompanhando um momento em que a moda e o mercado de luxo valorizavam visibilidade, impacto e presença. Caixas de 42 mm, 44 mm — e até maiores — passaram a dominar as vitrines, transformando o relógio em um símbolo de afirmação estética e funcional.
Nos anos 2000, a proposta se consolidou globalmente. Modelos esportivos, mergulhadores e cronógrafos ficaram cada vez mais robustos, influenciando praticamente toda a indústria relojoeira. Mesmo marcas tradicionais aderiram às proporções ampliadas, enquanto relógios menores ficavam cada vez mais raros no mercado.
A atual retomada dos tamanhos menores surge como um resgate de códigos clássicos da relojoaria masculina – agora reinterpretados sob a ótica contemporânea. Lógica que abrange tanto modelos sofisticados quanto esportivos. O status está cada vez menos associado ao excesso e mais à precisão dos detalhes. O Page9 mostra novidades que estão chegando ao mercado.
Cartier Privé
Todos os anos, o Cartier Privé - Les Opus oferece uma interpretação contemporânea de uma forma emblemática e exclusiva do legado relojoeiro da marca francesa. Entre os lançamentos da vez está o Tank Normale. A versão em platina, com dimensão de 32,6 mm x 25,7 mm, traz mostrador prateado opalino com marcadores de horas em algarismos romanos bordô e fecho dobrável em ouro branco. Já a opção em ouro amarelo com pulseira em couro de crocodilo cinza-escuro possui dimensão de 37 mm x 28,65 mm. O mostrador dourado possui acabamento acetinado e marcadores de horas em algarismos romanos pretos. A partir de R$ 500 mil.

Dior
Vinte anos após sua criação, a Dior resgatou o Chiffre Rouge no ano passado. O relógio foi originalmente criado sob a então direção criativa de Hedi Slimane e o último lançamento foi em 2015. Os detalhes em vermelho e o número oito na janela da data foram concebidos como uma referência à história da maison. Para Christian Dior, o vermelho era considerado a “cor da vida”, enquanto o oito era seu número da sorte. Já a padronagem cannage, símbolo da marca e que remete às cadeiras do primeiro desfile em 1947, aparece na pulseira e como textura do mostrador. Entre os novos modelos estão duas opções em 38 mm, com e sem diamantes na caixa. Preço sob consulta.

Rolex
A Rolex levou para a Watch & Wonders modelos com diâmetros menores, comemorando os 100 anos do Oyster Perpetual. O primeiro relógio de pulso impermeável da marca chega em versões de 36 mm, 34 mm e 28 mm em aço ou em ouro. Um dos destaques é o modelo cujo mostrador é adornado com a reinterpretação gráfica e colorida das letras do nome Rolex, que compõem o motivo Jubilee apresentado no final dos anos 1970. Cada modelo, à sua maneira, presta homenagem ao relógio original lançado em 1926 e possui certificação Superlative Chronometer. A partir de R$ 56.800.

Breitling
Quando foi lançado, em 1960, o Top Time simbolizava autoexpressão e rompia as regras de design da relojoaria tradicional ao focar em velocidade e estilo. Um dos primeiros cronógrafos sem gênero, ficou famoso no automobilismo, na moda e no cinema — James Bond usou em 007 contra a Chantagem Atômica (1965). A nova versão tem o tamanho clássico de 38 mm e calibre B31 de alta precisão. Também foi concebido para se adaptar a todos os pulsos e atividades. Possui movimento de três ponteiros com foco nos minutos e segundos. Está disponível em pulseira de couro perfurada com costuras contrastantes ou com bracelete em aço inoxidável de três fileiras com um elo central assimétrico. A partir de R$ 43.640.

Montblanc
A linha Star Legacy, que tem como característica o mostrador guilloché de estrela explosiva na cor antracite sfumato, ganha agora um modelo com caixa de 36 mm que possui submostrador de pequenos segundos cravejado com 30 diamantes. O complemento é a pulseira lisa de couro de bezerro preto com ponta lembrando a de uma caneta-tinteiro. Já no Iced Sea Automatic Date 0 Oxygen, o mostrador preto com padrão glacial foi inspirado no Mer de Glace — o maior glaciar da França, localizado no maciço do Mont Blanc, em Chamonix. Sua textura foi obtida usando uma técnica ancestral quase esquecida chamada gratté-boisé. O relógio possui caixa de aço inoxidável de 38 mm totalmente isenta de oxigênio. Acompanha pulseira de borracha preta intercambiável. A partir de R$ 27.700.

Bvlgari
Reduzido para 37 mm, o novo Octo Finissimo continua fazendo história por sua espessura — é quase uma folha de papel. É movido por um microrrotor de alta eficiência que dá corda a um tambor de armazenamento de alta energia em um formato mais compacto, oferecendo melhor ergonomia no pulso. Pesa apenas 65 gramas e pode ser encontrado em versões de titânio jateado ou acetinado e ouro amarelo 18 quilates. Foi pensado para deslizar facilmente sob o punho da camisa. A partir de R$ 118.000.

IWC Schaffhausen
Com caixa de aço inoxidável de 34 mm, o dress watch Portofino Automatic Day & Night possui aro cravejado com 54 diamantes brancos, enquanto outros 12 diamantes marcam as horas no mostrador prateado — 66 pedras no total, pesando 0,99 quilates. A cravação das pedras foi refinada para realçar a reflexão da luz e maximizar o brilho visual. Os ponteiros e apliques banhados a ouro adicionam um toque sutil de calor e contraste. A partir de R$ 75.800.

Panerai
Com suas proporções delicadas e um frescor no estilo, o Luminor Due Luna é uma reinterpretação em um formato refinado, mais adequado para roupas casuais e ambientes elegantes. O diâmetro de 38 mm é confortável ao “vestir” e a poesia fica por conta da compilação das fases lunares, situada às 3 horas, e apresentada em um disco giratório com uma Lua em 24 quilates contra um céu azul noturno estrelado. O relógio é confeccionado em aço com acabamento polido e escovado. A partir de R$ 73.300.

Seiko
Fundada em 1881, no distrito de Ginza, em Tóquio, a Seiko celebra 145 anos. Na coleção comemorativa, o modelo Presage foi inspirado no histórico relógio de bolso Timekeeper e aposta no artesanato refinado, com mostrador em esmalte branco, numerais romanos delicados e vidro em formato box, que conferem estética vintage reforçada pela pulseira de couro. Vem em edição limitada de 1450 peças e 35 mm de diâmetro. A partir de R$ 16.999.

Bulova
A tendência das caixas compactas aparece na linha Bulova Super Seville, inspirada no icônico Super Seville dos anos 1970. O modelo 96B440 possui caixa prateada de 38 mm em aço inoxidável, pulseira integrada de três elos e mostrador azul-escuro com acabamento escovado vertical. O relógio ainda conta com cristal de safira e lupa para a data. Já o Super Seville 97B237 traz caixa dourada de 38 mm, mostrador verde vibrante com acabamento escovado vertical, ponteiros dourados e pulseira integrada em aço inoxidável. Ambos combinam estética retrô com tecnologia Precisionist, reconhecida pela precisão elevada e resistente. A partir de R$ 6.590.


















