Por que dormir em uma suíte tradicional quando existe o casulo com design?

Por que dormir em uma suíte tradicional quando existe o casulo com design?

As estruturas modulares integradas à natureza estão mudando as experiências de turismo de luxo no Brasil e no mundo

Há viagens que não se destinam a um lugar, mas a um estado de espírito. Para o casal brasileiro Ziloah Monclaro e Ubiratan Clair, a estadia em um refúgio panorâmico da francesa Lumipod, nos Alpes austríacos, foi uma travessia sensorial. “Não parecia uma acomodação de hotel. Era como estar dentro de um casulo de design, silencioso e de conforto absoluto”, diz Ziloah.

Com sua fachada de vidro curvo e uma abertura de 120 graus para a paisagem, a cápsula dissolve a fronteira entre o "dentro" e o "fora". A neve, a luz e o horizonte deixam de ser cenário para se tornarem a própria experiência. O quarto desaparece; o mundo entra.

Essa metamorfose não é apenas estética, é um movimento tectônico no mercado. Segundo a consultoria Bain & Company, o setor global de luxo atingiu € 1,44 trilhão em 2025. Contudo, o segmento enfrenta uma transformação: enquanto os bens pessoais, como moda e acessórios, perdem milhões de consumidores anualmente, o luxo experiencial cresce com vigor inédito.

Viagens, gastronomia e bem-estar são os novos objetos de desejo. O turismo de alto padrão movimentou cerca de € 520 bilhões em 2025, com projeções de alcançar € 800 bilhões na próxima década. O motivo é uma mudança de paradigma: o consumidor contemporâneo está trocando o “ter” pelo “viver”.

Nesse contexto, surge o que especialistas chamam de “luxo invisível”: uma sofisticação silenciosa onde o design serve para amplificar o entorno. “O luxo hoje é o horizonte, e é um mercado que não conhece crise apesar de todo o contexto de guerras no qual vivemos hoje”, diz Laurent Salvaire, diretor da Lumipod. O valor dessa exclusividade é preciso: a Lumipod vende suas unidades por um preço médio de € 120 mil. 

Na Europa, marcas como a britânica Nokken, a finlandesa Space of Mind e a estoniana ÖÖD House exploram estruturas minimalistas que funcionam como lentes sobre a natureza. 

O impacto é também econômico. Como explica Salvaire: “A construção modular muda a lógica do investimento. Você deixa de pensar em obra e passa a pensar em unidade replicável de experiência. A obra é toda feita em nosso ateliê, sem que o cliente precise lidar com cimento ou canteiro de obras; além disso, são módulos totalmente ecológicos”.

No Brasil, o despertar para essa tendência é impulsionado por uma geografia intuitivamente espetacular, de glampings na Serra Catarinense a refúgios suspensos na Amazônia.

No fim, a essência é capturada pelo relato de Ziloah: “Eu não me lembro do quarto. Lembro da sensação de não existir barreira entre mim e os Alpes. Parecia que eu estava flutuando.”. E este é o ponto mais alto do luxo contemporâneo: quando ele deixa de ser visto e passa a ser sentido.

Onde viver a experiência do luxo modular:

Priesteregg Premium Eco Resort (Áustria)

Localizado nos Alpes, apresenta um Lumipod que parece flutuar nas montanhas. 

Aire de Bardenas (Espanha)

Localizado no deserto de Bardenas Reales, oferece bolhas transparentes e cubos de design que enquadram o solo árido sob um céu de estrelas.

Panorama Glass Lodge (Islândia)

Cabanas de vidro e aço que funcionam como observatórios térmicos para assistir às auroras boreais.

The Starlight Room Dolomites (Itália)

Uma cabana no Passo Falzarego, feita para quem busca o silêncio absoluto das montanhas.

Château de la Gaude (França)

Onde o design modular encontra a tradição vinícola da Provence.

Skylodge Adventure Suites (Peru)

Cápsulas transparentes penduradas no coração do Vale Sagrado, em Cusco.

Treehotel (Suécia)

O ápice do design lúdico em acomodações suspensas na floresta boreal.

Zion Bubble Glamping (Santa Catarina)

Bolhas transparentes voltadas para a imensidão da Serra Catarinense.

Mirante do Gavião Amazon Lodge (Amazonas)

Integração profunda com o Rio Negro em uma arquitetura que mimetiza as embarcações locais.

Morada dos Canyons (Santa Catarina)

Onde as janelas emolduram um dos cenários mais dramáticos do sul do país.

Cabana Home (São Paulo)

O luxo da desconexão modular em Araçoiaba da Serra, a poucos quilômetros da metrópole.

Clube do Mato (São Paulo)

Design minimalista que privilegia a imersão na Serra da Mantiqueira, em Monteiro Lobato.

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