O herdeiro do Tylenol reuniu uma grande coleção minimalista; os filhos vão leiloá-la

O herdeiro do Tylenol reuniu uma grande coleção minimalista; os filhos vão leiloá-la

A coleção de Henry “Hank” McNeil Jr. vai a leilão na Christie’s de Nova York em maio

Uma série de obras-primas do minimalismo — avaliada em até US$ 30 milhões — está saindo de uma mansão na Filadélfia para o mundo.

A coleção de Henry “Hank” McNeil Jr. — um reconhecido patrono das artes e herdeiro pródigo da família que criou o Tylenol, que morreu no ano passado — vai a leilão na Christie’s de Nova York.

Alguns dos principais expoentes do movimento artístico do século XX, como Donald Judd, Dan Flavin e Sol LeWitt, estão amplamente representados no acervo.

Nascido na Filadélfia em 1944, Hank pertenceu à quarta geração da família McNeil, dona do laboratório farmacêutico que criou o Tylenol em 1955.

Henry Sr. vendeu a empresa para a Johnson & Johnson em 1959, quando o filho ainda era adolescente, e este renegou o mundo dos negócios.

Mais interessado em competições equestres e caninas do que nos estudos, Hank se formou jornalista pela Washington & Lee, onde também dirigiu peças de teatro e se abriu para o mundo das artes.

Já baseado em Nova York, conheceu artistas como Basquiat e Warhol, e começou a se aventurar no mundo do colecionismo. Primeiro focou na arte contemporânea; depois, no minimalismo.

Hank teve galerias em Nova York e na Filadélfia, dirigiu uma residência artística e doou diversas obras a grandes museus — se tornando um importante patrono das artes nos EUA.

Enquanto sua coleção crescia, no entanto, os problemas pessoais também se multiplicaram, segundo o Wall Street Journal

Ele teria sido excluído da herança dos pais por ser dependente químico e não ter seguido uma carreira tradicional; e foi acusado de abusos parentais por seus dois filhos mais velhos, Justin e Cam.

Imbróglios familiares à parte, Hank continuou investindo em obras minimalistas e, diante da sua baixa aptidão para galerista, decidiu transformar sua mansão de cinco andares na Filadélfia em uma pinacoteca.

Ali, seus dois filhos mais jovens, Calder e Cole, cresceram nos últimos 30 anos rodeados pela principal coleção de obras minimalistas do mundo, acompanhando as mudanças pelas paredes do imóvel.

Quando o pai morreu no ano passado, aos 81 anos, a dupla decidiu leiloá-la.

A curadoria, que promoveu visitas à casa para divulgar o certame, atribuiu um grande mérito a Hank: ele conseguiu integrar o acervo ao imóvel com tanta destreza que eliminou qualquer traço frio e acadêmico que as obras minimalistas pudessem carregar.

Um grande exemplo de integração entre o espaço e as obras é uma escultura triangular em cobre e carbono de Carl Andre que, com um padrão axadrezado e um lado dentado, dá vida a uma esquina insuspeita da casa.

Ainda entre as joias da coleção estão uma coluna de esculturas em cobre e plexiglass vermelho de Donald Judd; diversos neons de Dan Flavin, inclusive o primeiro que o artista produziu em 1963; e uma espécie de retrospectiva da obra de Sol LeWitt, que vai de desenhos em grafite a desenhos de parede e culmina em pinturas multicoloridas.

Há ainda peças importantes de design, como móveis assinados pelo marceneiro e arquiteto George Nakashima, e algumas obras de outros movimentos, como os Matisses dos quartos das crianças e o Picasso de um dos banheiros, segundo o Philadelphia Inquirer.

Calder e Cole, que vão manter algumas das obras que davam vida à casa em que cresceram, também querem ser colecionadores.

O primeiro certame da coleção intitulada Defined Space: The Collection of Henry S. McNeil Jr. será realizado em 20 de maio no Rockefeller Center, onde as obras já começarão a ser expostas no próximo dia 9.

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