Veneza é uma cidade onde tempos diferentes parecem existir simultaneamente: palácios centenários e novos hotéis, receitas que atravessam gerações e restaurantes que experimentam novos sabores, o artesanato tradicional e uma cena contemporânea cada vez mais pulsante.
Entre canais, vielas e praças, a cidade revela diferentes versões de si mesma a quem se dispõe a olhar além do cartão-postal. Foi por essas diferentes Venezas que circulei na minha viagem mais recente para lá — além de revisitar os lugares mais conhecidos, busquei descobrir endereços que traduzem a cidade em seus contrastes — o clássico e o novo, o local e o global, a tradição e a transformação —, e descobri uma região que continua se reinventando, sem jamais perder sua identidade.
Hotel Metropole
Passar uma noite neste hotel é como dormir dentro de um museu — ou, melhor, dentro da própria história de Veneza. Além dos quartos com vista para o canal e do serviço impecável, o Metropole guarda mais de 2.000 antiguidades e obras de arte.
Vivaldi deu aulas ali, enquanto Freud, Proust e Thomas Mann estão entre os nomes que já passaram por seus quartos. Para completar, o café da manhã servido no jardim interno é daqueles que, sozinho, já valem a hospedagem.
Riva degli Schiavoni, 4149

Airelles Palladio Venezia
Para quem gosta de descobrir novidades sem abrir mão da exclusividade, vale se hospedar neste hotel, inaugurado em julho. Instalado em uma propriedade do século XVI com vista para a Piazza San Marco, é o primeiro endereço da rede francesa Airelles fora do País.
A proposta é equilibrar o clássico — dos quartos decorados com afrescos e tecidos tradicionais de casas como Rubelli e Fortuny — e a contemporaneidade, representada por restaurantes assinados por chefs de renome internacional, como o japonês Nobu Matsuhisa.
Fondamenta Zitelle, 33

Osteria alle Testiere
Pequeno, discreto e muito respeitado pela cozinha veneziana focada em peixes e frutos do mar da lagoa. Nem tente chegar sem reserva: o restaurante tem pouquíssimas mesas.
O cardápio, essencialmente dedicado ao mar, muda diariamente de acordo com o que chega do mercado. Eu amei as vieiras, pescadas localmente, claro — fresquíssimas!
Calle del Mondo Novo, 5801

Ristorante Da Ivo
Para quem busca um clássico veneziano, este é o endereço certo. Tradicional e conhecido pela massa com trufas, o restaurante tem nomes como George Clooney e Brad Pitt como habitués durante o Festival de Cinema.
Vale pedir a mesa de George e Amal para um jantar inesquecível, com vista para o canal.
Per S. Marco, 1809

Bacán
Para uma experiência mais despretensiosa, a sugestão é o Bacán — daqueles lugares para tomar drinks e dividir mezzes. A cozinha trabalha ingredientes da lagoa e do território italiano combinados a técnicas e sabores latino-americanos.
No menu, aparecem propostas como ceviche de peixe da região, tacos e aguachile. A ideia é justamente misturar referências: produtos locais e italianos com uma abordagem latino-americana.
Calle del Tentor, 1834

Homo Faber
Uma boa época para visitar Veneza é em setembro, porque, além da Bienal de Arte, é quando acontece a Homo Faber, que reúne artesãos do mundo inteiro.
Organizada pela Michelangelo Foundation, esta Bienal valoriza os saberes artesanais de cada país e tem uma expografia belíssima. Acontece na Fondazione Giorgio Cini, na ilha de San Giorgio Maggiore, e é fácil chegar de vaporetto (o meio de transporte público típico nos canais da cidade). Vale muito a visita!
Isola di San Giorgio Maggiore

Museo Fortuny
Uma dica para quem quer conhecer a relação entre arte, tecidos, design e história veneziana a partir do universo de Mariano Fortuny, artista que é chamado de o "Leonardo da Vinci do século XX".
O acervo do museu abriga pinturas, fotografias, coleções de tecidos, maquinarias teatrais, gravuras e os famosos vestidos plissados que redefiniram a moda da época.
San Marco, Campo S. Beneto

Helena Nizic
A designer e artesã cria bolsas e pochetes inteiramente à mão, usando tecidos históricos venezianos de casas como Bevilacqua, Rubelli e Fortuny. Ela começou no design de calçados, trabalhando para marcas que vão de Etro a Armani, e voltou aos tecidos para criar essas peças únicas!
Calle del Mondo Novo, 5.792

Arabesque Venezia
No bairro de Castello, a loja trabalha com peças únicas de vidro de Murano feitas à mão em parceria com a Fornace Yalos, uma oficina familiar que existe desde os anos 1960.
A própria Adelia, que está à frente da loja, trabalha com os mestres vidreiros e seleciona peças que têm muito mais cara de objeto de arte do que dos tradicionais muranos.
Castello 3403
















