Praça das Flores: o quadrilátero da longevidade de Lisboa

Praça das Flores: o quadrilátero da longevidade de Lisboa

Conheça o paraíso dos expatriados obcecados por biohacking, saúde física e mental na última potência

Desde que a Praça das Flores, no bairro do Príncipe Real, em Lisboa, virou o epicentro da comunidade nômade digital de poder aquisitivo que supera os sete dígitos em euros na conta corrente, um movimento silencioso de busca por energia e vitalidade vem ultrapassando os limites daquilo que conhecemos até hoje como saúde e bem-estar. Ui, de repente essas duas palavras juntas ficaram so last season... Vamos falar de biohacking, ou seja, o auxílio da tecnologia em otimizar a nossa idade biológica. E é neste cenário que um novo mercado de produtos e serviços começa a florescer no quadrilátero mais cool de Lisboa.

Acontece que o entorno desta charmosa praça que vive nas listas da Time Out como a mais cool da cidade — cercada de cafés, brunches e bares de vinho charmosos —, ganhou, desde o ano passado, pelo menos três diferentes negócios ligados à “compra” de meses ou até anos de idade biológica retroativa. Estou falando de longevidade comprovada através de exames comparativos de alta tecnologia, que medem compostos sanguíneos, níveis de cortisol e inflamação do corpo provocados pelo estresse crônico.

“Vejo Lisboa, especialmente essa região que estamos, como um reduto da comunidade de expatriados em busca de cura, reconexão e renascimento. Muitos de nós romperam com um trabalho, ou terminamos uma relação, saímos de cidades enlouquecedoras, como São Paulo ou Londres, e nos encontramos aqui. Queremos, do nosso jeito, melhorar a nossa vida e a das pessoas à nossa volta,” diz Perry Patraszewski, o nome por trás da MOM (Ministry of Mushrooms) Alquimistas da Longevidade, uma loja supercharmosa de sucos voltados para imunidade, cognição e energia que levam microdoses de cogumelos associadas às fórmulas (preços entre € 4 e € 9) . Perry é um cabeleireiro de origem polonesa que fez história na capital inglesa com uma rede de salões, a Blue Tit. Ele sempre teve TDAH e decidiu buscar uma alternativa não alopática ao seu problema. Depois de cortar os remédios tradicionais, fazer um retiro na Amazônia e participar de cerimônias de ayahuasca, começou a consumir e estudar o poder dos cogumelos na nossa mente e percebeu que sua imunidade, que sempre foi fraca, tinha melhorado. A partir daí mergulhou no tema para trazer ao público algo que realmente havia transformado sua vida. E enquanto a Praça das Flores ferve durante à noite com copos de vinho e cerveja para todo lado, é na parte da manhã que os investidores de trinta e poucos anos, cabelos longos e chinelos circulam de mat nas costas após a prática de yoga em busca dos sucos MOM, fazendo deles seu elixir de cognição e energia para dar um boost no sistema imunológico.

Mas a grande mudança de paradigma do bem-estar para o biohacking está no primeiro clube de longevidade de Portugal (quiçá do mundo), uma vez que não se identificam como uma clínica, mas sim como um clube de iniciados em assuntos que pouca gente conhece ou tem acesso, até pela novidade. O Healthy Horizon completou um ano em março, fica numa rua atrás da praça e funciona como uma “academia” com equipamentos ultramodernos como: a câmara hiperbárica, que provoca uma oxigenação turbinada, cicatrização acelerada, neuroproteção e estimula a criação de novos vasos sanguíneos; banho de raios infravermelhos que promove recuperação muscular, atenua a dor, otimiza a saúde cardiovascular, ativa mitocôndrias que rejuvenescem a pele e estimulam a produção de colágeno; aumenta a imunidade e a produção de serotonina; queima de 300 a 600 calorias por sessão, provocando a perda de peso; float-therapy, um tanque de privação sensorial com luz apagada, tampões nos ouvidos e água na temperatura do corpo, que derruba cortisol e adrenalina, aumenta dopamina e endorfina, atenua a dor crônica e provoca o estado theta, que ativa foco, criatividade e melhora a qualidade do sono; sauna + cold plunge, o combo mais antigo de biohacking, com o choque térmico que aumenta noradrenalina, desperta dopamina que ativa o metabolismo, diminui a inflamação do corpo e aumenta a imunidade em 29%, segundo estudos. Soma-se a tudo isso um ambiente super cool, marcações online, encontro com amigos no bar (que também vende os sucos da MOM) e autonomia para adaptar os protocolos indicados à sua carga horária.

O conceito é tão inovador que o CEO, o português João Corleo, enfrentou muitos desafios para “mastigar” o tema a quem chega e, ao mesmo tempo, melhorar ainda mais a jornada dos membros já inscritos (cerca de 500 pessoas): criou o vitality room, focado em consultas de nutricionistas e massagens. Para estimular o senso de comunidade e pertencimento, fatores muito importantes quando se trata de saúde mental, fez a maior sauna de Lisboa, com capacidade para 30 pessoas, com eventos que acontecem ali mesmo, dentro da sala. Implementou também três diferentes planos para que os resultados sejam o mais personalizados possível. Os planos têm um valor mensal que gira em torno dos € 150; já o day pass com sauna e cold-plunge sai por € 40.  

Então é assim: primeiro você compra um kit de exames que podem variar entre € 400 e € 500, depois recebe um plano direcionado para o seu perfil por especialistas da HH. Se você conseguir colaborar com o investimento de frequentar o clube com assiduidade e aliar tudo isso a hábitos saudáveis, pode retroceder sua idade biológica e proteger-se de doenças provocadas pelo estresse. Tendo a saúde como bem mais valioso, quem pode está comprando vitalidade para viver mais e melhor. Não à toa, o lema deles é Not just longer. Better. “O grande luxo não está mais em ter coisas materiais ou grifes, muito menos em parecer jovem através de tratamentos superficiais para os outros, mas nos sentir melhor com nós mesmos e estarmos efetivamente mais jovens por dentro e por fora,” diz João.

A 50 metros dali, praticamente de frente para a Praça, está a Biocol Labs, uma farmacêutica portuguesa repaginada como “a farmácia pós-química” numa loja-conceito, sem letreiro, e uma parede de mármore à moda antiga de Lisboa. Nela, a seguinte frase: The future of Health is Nature. Ali prateleiras minimalistas, vitrines subjetivas com tubos de ensaio e “produtos” em caixas coloridas super cool não têm nome, mas um teaser... Something for a detox ou Something for a hangover dentre outros, que já viraram febre na comunidade local (e online) que não conseguiu ainda abrir mão do álcool. Os itens têm foco total na saúde do fígado e no metabolismo feitos à base de plantas, com validação científica para resolver problemas específicos que a medicina tradicional falhou. Ficam entre o suplemento natural genérico e a big pharma química, que traz efeito colateral, receita e exagero.

A empresa é antiga, de 1977,  e foi fundada pelos avós Gualdim e Natália Redol como laboratório familiar. Ele cientista autodidata, ela empresária. Em 2015, o neto Christian Pierre Balivet e a esposa Christine Pausewang assumem com um revamp total da marca. Eles mantiveram a base científica, mas mudaram tudo com rebranding, distribuição e posicionamento. Transformaram o remédio para o fígado em produto de lifestyle  para jet lag, pós-sexo e ressaca, devidamente testados e validados pela nova geração, habitué da área. E claro, a loja conceito não podia estar em outro lugar. Mas a vantagem é que, ao contrário dos outros dois, é possível adquirí-los também online. Mas se você estiver em Lisboa, dá para fazer tudo em um dia. Que tal ver? Acesse aqui minha rota completa.

MOM | Ministry Of Mushrooms
Tv. Piedade 38B
Comece aqui por volta das 10h. Tome um café com cogumelos, um smoothie funcional ou um matcha com adaptógenos para acordar o sistema.

Biocol Labs
R. Nova da Piedade 21
Compre o protocolo de detox do fígado ou hangover. Abre às 10h nas segundas, às 12h nos outros dias da semana.

Healthy Horizon
Rua Manuel Bernardes 10A
Feche o dia com uma sauna e cold plunge, red light ou float. Day pass. Aberto até às 21h.

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