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Renata Ramalhosa, a ex-diplomata que encontrou uma segunda carreira nas telas

Renata Ramalhosa, a ex-diplomata que encontrou uma segunda carreira nas telas

Executiva portuguesa que optou pelo Brasil faz sua primeira exposição individual

Depois de ler sobre a segunda metade da vida em artigos e livros, Renata Ramalhosa, aos 50 anos e no auge de uma carreira executiva, confirmou o que já sentia: era hora de fazer algo diferente. 

Nos dois últimos anos, e mantendo um full-time job, se inscreveu em mentorias de arte — um hobby que já cultivava há anos.

Agora, o resultado vem a público: Renata exibe sua primeira mostra, exatamente onde a mentoria aconteceu: no ateliê de Cris Ioschpe.

“É como compartilhar não apenas os trabalhos, mas também a trajetória, as descobertas e os afetos que construí nesse espaço,” Renata disse ao Page9.

Nascida em 1973 em São Tomé e Príncipe, Renata construiu uma carreira executiva internacional de mais de 25 anos nas áreas de diplomacia econômica, estratégia, inovação e governança.

Depois de períodos no Reino Unido e na França, chegou ao Brasil como funcionária do Foreign Office, o corpo diplomático inglês. 

Para permanecer no País, depois de quatro anos deixou os britânicos e fundou uma consultoria focada em inovação, e hoje é regional managing director para a América Latina do escritório de advocacia Kobre & Kim — focado em disputas empresariais internacionais — além de fazer parte do Conselho da Diáspora Portuguesa, um grupo de 400 portugueses influentes espalhados pelo mundo que aconselham a Presidência da República de Portugal.

O lado executivo sempre foi o centro da vida de Renata — mas ao buscar algo novo, ela voltou à infância.

Por incentivo da mãe, Renata sempre cultivou a pintura como expressão pessoal, ao lado de um grande interesse por ópera, literatura, teatro e cinema. Durante a mentoria, aprendeu técnicas e foi apresentada a artistas plásticos brasileiros. 

“Renata já pintava quando a conheci," disse Cris Ioschpe. "Ela trouxe uma bagagem, um repertório. Mergulhou no trabalho dela e achou uma identidade própria."

Esta primeira exposição, Sedimentos, reúne 17 pinturas em acrílico sobre tela e papel. 

“Sedimentos é o que fica. O que se deposita. O que a vida vai deixando em nós sem que percebamos – e que um dia, de forma inesperada e inevitável, encontra a sua forma de aparecer,” disse Stella Villares — amiga de Renata e Cris, e quem as apresentou, no ensaio da mostra. 

As telas surpreendem pelo domínio das cores e pelo equilíbrio das composições. “É como se a pintura fosse um idioma que ela sempre soubesse falar, mas nunca tivesse tido ocasião de usar,” escreve Stella. 

A principal inspiração de Renata? A vida fora do escritório. “Todas as minhas obras trazem uma interpretação da natureza que vem de dentro para fora, revelando um certo saudosismo. Moro em São Paulo há 11 anos, e acho que quem vive aqui tem o direito de ter saudade da natureza.”

Sem Título, 2025, Renata Ramalhosa. Acrílica sobre tela.

Sedimentos, Renata Ramalhosa
Em cartaz até 19 de junho.
As visitas devem ser agendadas previamente através do contato:
(11) 99199-3972. 

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